O governo entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal
(STF) pedindo a anulação do processo de impeachment contra a presidente Dilma
Rousseff, em um movimento indicando que o Palácio do Planalto não tem os votos
necessários para barrar o impedimento na votação marcada para domingo na Câmara
dos Deputados.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta quinta-feira
que entrou com a ação no Supremo porque o processo contém "vícios"
que impedem sua continuidade, o que foi prontamente rebatido pela oposição.
Para o líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino
(AM), "não há nenhuma indicação de que tenha sido feito ou se tenha vícios
nesse processo". "Portanto se disser que vão entrar, é legítimo, é o
direito de espernear, o famoso 'jus esperniandi'." "Nós cumprimos as
regras estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal diante da lei do impeachment
e também do regimento interno da Câmara e da Constituição", acrescentou
Pauderney.
Na quarta-feira, fontes do governo disseram à Reuters que a
debandada do PSD havia queimado a gordura que o governo tinha na contagem de
votos contra a abertura do processo de impeachmet. “Temos os votos, mas sem
gordura”, disse uma das fontes. Nessa conta estariam cerca de 20 votos do PMDB.
Quase ao mesmo tempo em que a AGU anunciou que ingresará no
Supremo contra o processo, cerca de 90 por cento dos deputados do PMDB se
manifestaram a favor do impeachment em reunião realizada na Câmara, segundo o
líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ), que disse que manteria sua posição
contrária ao impeachment.
O ministro da AGU, José Eduardo Cardozo, marcou uma
entrevista coletiva para as 12:30 para apresentar os principais pontos da ação
contra o impeachment.
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