Mais um capítulo da tumultuada eleição do clube do Vasco da
Gama, no Rio. Peritos descobriram que mais de 300 sócios não estavam aptos a
votar. Um ex-funcionário do clube foi indiciado pela fraude.
Depois de passar por uma perícia, no Instituto de
Criminalística da polícia do Rio, o disco rígido do computador do clube foi
encaminhado ao Juizado do Torcedor. A mídia contém o registro de 5.780 pessoas
que se associaram ao Vasco entre 2015 e 2017.
Contudo, os peritos descobriram que 335 desses sócios não
poderiam ter votado, pois a data limite para se tornar sócio e ter direito ao
voto foi até agosto de 2016.
O ex-funcionário Sérgio Murilo Paranhos foi indiciado por
estelionato e falsidade ideológica. Ele foi diretor de informática do clube na
gestão de Eurico Miranda e, de acordo com os investigadores, alterou as datas
de associação de sócios do Vasco, para que eles pudessem votar nas últimas
eleições.
O Ministério Público do Rio admite pedir à Justiça que a
eleição seja anulada. “Essa hipótese, ela não é descartada. O que o Gadest
(Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor) trata, é da
parte criminal, e eventualmente da parte cível, no que se refere às ações civis
públicas. Nesse sentido, o Gadest vai adotar as medidas pertinentes. E, se
houver necessidade de remessa desse material para que haja a adoção de outras
medidas, isso será feito prontamente”, disse o promotor Marcos Kac.
A eleição no Vasco foi marcada por disputas judiciais e
políticas. O executivo Julio Brant e o médico Alexandre Campelo se aliaram para
derrotar o então presidente Eurico Miranda. Mas na véspera da votação no
conselho deliberativo, realizada em janeiro, Campelo abandonou a chapa de Brant
e se elegeu presidente, com votos de aliados de Eurico.
Os advogados do candidato derrotado informaram que vão
esperar a decisão da justiça para resolver se pedem a anulação do pleito. O MP
ressaltou os prejuízos que a suspeita de falsificação dos cadastros pode
acarretar.
“Toda alteração da manifestação popular, no caso
manifestação popular restrita à comunidade do Vasco, ela é de uma gravidade
ímpar. Porque você frauda essa manifestação de vontade. Então, é óbvio que a
partir do momento que você tem um cadastro fraudado, você tem, digamos assim, a
vontade do sufrágio completamente alterada. Nesse sentido, eu acho que são
graves os acontecimentos”, disse o promotor.
Em Belo Horizonte, onde acompanhou o jogo entre Vasco e
Cruzeiro, pela Taça Libertadores da América, o presidente do clube também falou
sobre a eleição.
O presidente do Vasco, Alexandre Campello, disse que o HD é
de responsabilidade da gestão anterior, e que não se opõe à perícia feita pela
justiça. Sobre o funcionário indiciado, o clube disse que irá se manifestar
quando for oficialmente comunicado.
Fonte: G1/RJ
Fonte: G1/RJ





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