Produção na entressafra de lima ácida permite maior ganho
para pequeno agricultor
Na microbacia Valão do Papagaio, em Itaocara, o agricultor
familiar Dirceu Pinto Sampaio, de 74 anos, está experimentando uma técnica que
permite aumentar a rentabilidade da produção de lima ácida tahiti. Trata-se de
uma Unidade de Pesquisa Participativa (UPP) do Programa Rio Rural, da
Secretaria de Agricultura, que adota um manejo diferenciado da lavoura, para
que a colheita aconteça no período da entressafra.
A unidade de longa duração foi implantada pela Pesagro-Rio
em outubro de 2010, no sítio do agricultor, que se candidatou a parceiro do
projeto durante as reuniões realizadas com o Comitê Gestor da microbacia
(Cogem).
O tahiti produz o ano inteiro, sendo o pico de colheita em
março.
- Estamos fazendo o manejo da irrigação e adubação para que
o auge da produção ocorra na entressafra, quando há poucos frutos no mercado -
esclarece Julio César Monteiro Barros, engenheiro agrônomo da Pesagro-Rio e
coordenador do projeto.
A metodologia consiste em derrubar 80% das flores na
principal florada, que ocorre naturalmente na primavera. Em seguida, fornecer
nutrientes para induzir as plantas a florescer novamente no mês de março, produzindo
frutos em setembro, quando o preço está em alta, pela pouca oferta no mercado.
Aumentar o lucro do agricultor não é a única finalidade do
projeto. Os pesquisadores estão estudando a aplicação de compostos orgânicos
nas plantas, para obter maior produtividade e melhor qualidade de frutos, sem
comprometer o meio ambiente e sem onerar a produção. Foi aplicado um conjunto
de técnicas sustentáveis, sendo a principal o uso da urina de vaca, que fornece
nutrientes e protege as plantas.
Manejo sustentável do
agroecossistema
A UPP rural mudou a paisagem da propriedade. O plantio de
125 pés de lima ácida foi feito em uma área de 0,25 hectares, em um terreno com
muito declive, que sofria processo de erosão por seu uso como pastagem durante muitos
anos. A correção do solo com insumos naturais para torná-lo apto ao
desenvolvimento da cultura.
Após o plantio das mudas, foi usada urina de vaca para
fornecer nutrientes ao solo e atuar como fitoprotetor das plantas, evitando o
ataque de pragas. O solo recebeu também uma cobertura verde, com o plantio do
amendoim forrageiro, que controla o mato, conserva a umidade e fixa o
nitrogênio. Ao redor do pomar foi plantada cana de açúcar, para formar um
cordão de retenção da erosão.
A experiência está provando que é possível desenvolver a
lavoura apenas com a adubação natural.
- A homogeneidade das plantas e a presença das abelhas
polinizando as flores é um indício de que o pomar está equilibrado
ecologicamente e biologicamente - afirma Júlio César.
Adesão do Produtor
O agricultor Dirceu Sampaio, que já desenvolvia a
fruticultura, viu neste trabalho uma oportunidade para aumentar a renda
familiar. Atualmente sua principal atividade é o plantio de manga palmer,
espada e haden - cerca de 400 caixas por ano. Dirceu também produz banana,
milho, cana e ovos.
A primeira grande safra da lima ácida, em setembro, traz
boas expectativas.
- Fico olhando a plantação e sinto muito orgulho - diz o
produtor. Os técnicos estimam que ele colha aproximadamente 125 caixas de 27kg,
uma por pé plantado. No auge da produção, daqui a 4 anos, a projeção é de cerca
de oito caixas por planta.
Dirceu pretende vender as frutas no mercado que o filho dele
possui na cidade.
- Esta primeira safra vai toda pra lá. Depois, com o aumento
da colheita, vou arrumar mais compradores - planeja. Como a lima ácida produz o
ano inteiro, ele já está vendendo frutos, sadios, saborosos e saudáveis.
- Não usei nem uma gota de agrotóxico. É só se dedicar e
seguir a orientação dos técnicos, que tudo dá certo - aconselha o agricultor,
que protegeu a nascente da propriedade com o apoio do Rio Rural.
A Pesagro-Rio, responsável pelas UPPs, apoia o processo de
adaptação dos agricultores às boas práticas agrícolas e de manejo dos recursos
naturais.
- Nossa proposta é adequar a produção em pequenas
propriedades, com utilização de mão de obra familiar, com enfoque sistêmico de
agricultura, em que há interação entre as atividades desenvolvidas. Tudo é
feito para atender a demanda do produtor - afirma Lúcia Valentini, coordenadora
do núcleo de Pesquisa Participativa no Noroeste fluminense.
Imprensa/RJ





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