A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta terça-feira (18/08), a Operação Golpe de Fé, contra um suposto esquema de fraude financeira e lavagem de dinheiro ligado a uma igreja evangélica atualmente instalada em Niterói. Em nota, a corporação afirma que o líder religioso investigado teria usado a relação de confiança com fiéis e pessoas próximas para captar dinheiro para um falso banco digital que prometia rendimentos de aproximadamente 10% ao mês.
Policiais da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram para cumprir 39 mandados de busca e apreensão contra 12 alvos, com diligências em Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias, na capital fluminense e também em São Paulo.
A Justiça também autorizou, segundo as informações da investigação, o bloqueio de R$ 8 milhões, além da apreensão de bens de luxo. Análises financeiras realizadas durante a apuração identificaram movimentações superiores a R$ 8 milhões entre 2022 e 2025.
O caso ganhou o nome de “Golpe de Fé” justamente pela suspeita de que a influência religiosa e a confiança estabelecida entre o líder da igreja e os fiéis tenham sido usadas como porta de entrada para os investimentos.
O que era o chamado “Banco do Pastor”
Segundo a investigação, o principal alvo é Roberto Soares, apontado como líder da Igreja Apostólica Vida e Adoração.
A Polícia Civil afirma que a igreja funcionava inicialmente em São Gonçalo e atualmente está instalada em Niterói.
De acordo com os investigadores, o religioso utilizava sua posição de liderança para apresentar oportunidades de investimento a fiéis e outras pessoas de sua rede de influência.
Os recursos seriam aplicados em uma plataforma operada por uma empresa conhecida pelos investidores como “Banco do Pastor”. A empresa é identificada nas apurações como GAL Invest Bank.
A promessa era especialmente atraente: rendimentos próximos de 10% ao mês sobre o dinheiro aplicado.
Para se ter uma dimensão, uma rentabilidade constante de 10% mensais está muito acima das taxas normalmente encontradas em investimentos tradicionais — característica que torna promessas desse tipo um importante sinal de atenção para investidores.
Pagamentos teriam parado
A investigação sustenta que, depois da captação dos recursos, os rendimentos prometidos começaram a deixar de ser pagos.
Inicialmente, segundo a Polícia Civil, diferentes justificativas eram apresentadas aos investidores. Posteriormente, as restituições teriam sido completamente interrompidas.
Há relatos de investidores com prejuízos individuais que chegam a R$ 118 mil.
Até agora, os investigadores localizaram pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao mesmo modelo de suposta fraude. Somados, os prejuízos identificados nesses casos chegam a aproximadamente R$ 1,11 milhão.
A Polícia Civil trabalha, entretanto, com a possibilidade de que a dimensão financeira do caso seja maior.
Investigação encontrou estrutura mais complexa
O avanço das apurações levou os policiais a suspeitarem que não se tratava apenas de uma empresa captando investimentos de maneira irregular.
Segundo a DCOC-LD, haveria uma estrutura organizada com divisão de tarefas, envolvendo pessoas responsáveis pela captação de clientes, operadores financeiros e pessoas físicas e jurídicas utilizadas para administrar e movimentar os recursos.
É justamente essa estrutura que a operação desta terça-feira tenta aprofundar.
Os investigadores querem estabelecer quem efetivamente controlava o dinheiro, por quais contas os valores passaram, quem se beneficiou das operações e se houve ocultação de patrimônio.
Capital social de R$ 5 milhões chamou atenção da polícia
Um dos pontos que despertaram o interesse dos investigadores foi a composição societária da empresa apontada como responsável pelo suposto banco digital.
De acordo com a Polícia Civil, o empreendimento declarava capital social de R$ 5 milhões.
O problema, segundo a investigação, é que alguns dos sócios formalmente registrados não apresentariam capacidade financeira compatível com os valores envolvidos.
Para os investigadores, a situação pode indicar o emprego de interpostas pessoas, popularmente conhecidas como “laranjas”, para dificultar a identificação dos verdadeiros controladores ou beneficiários dos recursos.
Essa hipótese ainda integra a investigação e deverá ser aprofundada a partir do material recolhido nesta terça-feira.
Conta teria registrado R$ 5,4 milhões apenas em “estornos”
O caminho percorrido pelo dinheiro é outra frente central da Operação Golpe de Fé.
*Com informações do G1.
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