Jovem filho de doméstica é 1º em cursos de medicina na USP pelo Enem



Um jovem baiano de origem humilde conquistou o primeiro lugar no curso de medicina da USP de Ribeirão Preto, uma das mais disputadas do país, utilizando a nota do Enem. Morador de Cajazeiras, na periferia de Salvador, Wesley de Jesus, de 23 anos, preparou-se de forma independente ao longo de cinco anos, com apostilas usadas e aulas gratuitas disponíveis na internet.

Filho de uma doméstica e de um pedreiro, ele afirma que a pontuação obtida no Exame Nacional do Ensino Médio seria suficiente para ingressar em qualquer universidade pública participante do Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Preparação solitária e rotina de estudos

Wesley estudava em uma casa construída pela metade, com cômodos sem laje e sem pintura. Todo o seu percurso escolar foi feito na rede pública de ensino. Sem condições de pagar cursinho, contou com doações de materiais e com conteúdos gratuitos na internet, especialmente videoaulas no YouTube.

“Minha vida estudantil foi toda em escola pública. Estudei com apostilas usadas que me doavam, materiais que eu encontrava na internet e aulas online. Tem muita coisa disponível atualmente”, relata. Segundo ele, a disciplina e a persistência foram determinantes para alcançar o resultado.

Família, dificuldades e superação

A família vive junta em uma casa de dois quartos. A mãe, Liliana Maria de Jesus, de 54 anos, está desempregada e atua como doméstica. O pai, Djalma Souza Batista, de 51, é pedreiro. Wesley tem outros três irmãos, e nenhum dos pais teve acesso ao ensino superior.

Apesar das dificuldades, o jovem afirma que nunca encarou a condição financeira como um obstáculo definitivo. “Com toda certeza, eu tive muito mais barreiras que outros alunos para conseguir essa aprovação, mas nunca entendi a minha realidade econômica como algo que determinasse que eu não pudesse mudar de vida”, diz.

Mudança para São Paulo e novos desafios

Com a aprovação, Wesley se prepara para mudar para o estado de São Paulo, onde esteve apenas duas vezes. O sentimento, segundo ele, é ambíguo. “Feliz por estar indo para uma nova realidade em uma universidade muito importante, mas também em choque pelo que me espera. O custo de vida é muito mais caro do que aqui”, afirma.

Para conseguir se manter nos primeiros meses, ele criou uma vaquinha nas redes sociais. A USP dispõe de programas de assistência estudantil para alunos de baixa renda, que incluem moradia e alimentação.

Planos para o futuro e compromisso social

Wesley diz que escolheu a medicina também por questões pessoais, como a convivência com a asma, e pela vontade de retribuir à sociedade. “Agora quero me preparar para dar o retorno. Quero ser um exemplo para outros jovens de que hoje é possível acessar algo de excelência independentemente de origem, classe social e raça”, afirma.

Ele reforça que pretende ser um médico com valores humanos, comprometido com o sistema público de saúde. A família também atribui a conquista à fé cristã. “Somos cristãos e a base de tudo sempre será Jesus. Foi Deus que mais nos amparou em tudo”, diz Wesley.







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