UFRJ firma parceria com Prefeitura de Porciúncula para estudo de cheias urbanas

 

UFRJ firma parceria com Prefeitura de Porciúncula para estudo de cheias urbanas
O reitor da UFRJ, Roberto Medronho, e o prefeito de Porciúncula, Guilherme Fonseca Cardoso.

Sob os alertas de chuvas intensas no estado, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio da Escola Politécnica, firmou, na última sexta-feira, (23/01), uma parceria com a Prefeitura Municipal de Porciúncula e a Fundação Universitária José Bonifácio (Fujb) para o desenvolvimento de um estudo técnico de modelagem das cheias urbanas no município, a partir de um diagnóstico detalhado das inundações fluviais e urbanas.

O projeto visa avaliar o funcionamento da drenagem urbana do município, o mais setentrional do estado do Rio, no qual estruturas usuais de macrodrenagem falham e os escoamentos pluviais afetam o centro da cidade, somando-se aos efeitos das cheias do Rio Carangola e seus afluentes. Esse contexto se torna ainda mais urgente diante dos eventos registrados em 2020 e 2021, quando graves inundações impactaram significativamente a região, afetando, respectivamente, 26% e 46% da população de Porciúncula.

Para o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, a parceria “não é meramente um ato administrativo”, mas “um compromisso com vidas humanas, com a prevenção, com planejamento urbano inteligente, com a ciência a serviço da sociedade”. Segundo ele, diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos, investir em estudos técnicos torna-se fundamental para prevenir problemas e proteger a população.

Medronho também enfatizou o caráter colaborativo da iniciativa. “A UFRJ não chega apenas para entregar um produto. Chega para construir com o município, com seus dados, suas equipes e sua realidade territorial. É um trabalho conjunto”, afirmou. Para ele, a troca entre universidade e cidade fortalece tanto a gestão pública quanto a formação acadêmica: “Nossos estudantes e pesquisadores aprendem com o desafio real, com a cidade viva e com a urgência do cotidiano”.

Já a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, defendeu a ampliação da presença da UFRJ no interior do estado, ressaltando a importância da troca entre universidade e municípios. “Quando a gente interage com as cidades e com a nossa comunidade, nós levamos conhecimento, mas também temos muito a aprender”, afirmou Cássia, que acredita que a aproximação fortalece os cursos de graduação, os programas de pós-graduação e gera benefícios diretos para toda a comunidade acadêmica.

Egresso da UFRJ, o prefeito de Porciúncula, Guilherme Fonseca Cardoso, por sua vez, destacou a relevância do acordo para o enfrentamento de um desafio histórico do município: as enchentes. Em sua fala, ele enfatizou a confiança na universidade pública brasileira e classificou a parceria com a UFRJ como um legado para as próximas gerações. “Confiar o futuro de Porciúncula a esse projeto é uma decisão importante. O histórico do município em relação às enchentes é muito dramático”, disse.

A cerimônia de assinatura do acordo entre as instituições, realizada no Salão Nobre da Decania do Centro de Tecnologia (CT), contou, ainda, com a participação da vice-decana do CT, Maria Inês Bruno Tavares; da diretora da Escola Politécnica, Cláudia Morgado; do coordenador do projeto, Marcelo Gomes Miguez; e do secretário municipal de Urbanismo de Porciúncula, Gabriel Gonçalves.

Metodologia

O projeto prevê o desenvolvimento de um modelo hidrológico e hidrodinâmico capaz de simular os eventos de inundação e testar a efetividade de diferentes cenários de intervenção. A metodologia inclui o reconhecimento da área, a caracterização de chuvas intensas, simulações do sistema atual e de soluções propostas, além da integração com o ambiente construído e diretrizes para o planejamento urbano.

“O estudo pretende apresentar um conjunto de soluções para mitigação das inundações nas sub-bacias do Rio Carangola dentro do território municipal, avaliadas por meio de simulações matemáticas. As diretrizes adotadas se baseiam na abordagem de infraestrutura verde e azul, que considera o território na escala da bacia hidrográfica e organiza as intervenções a partir das conexões entre áreas de interesse ecológico e áreas urbanas, utilizando a própria rede hidrográfica como elemento estruturador do planejamento da paisagem e do projeto de controle de inundações”, explicou o coordenador do projeto e professor da Escola Politécnica, Marcelo Gomes Miguez.

 



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