O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que deixou
o cargo em setembro do ano passado após quatro anos de mandato e duas denúncias
apresentadas contra o presidente Michel Temer (MDB), usou o Twitter na manhã
desta quinta-feira para comentar a operação que prendeu, entre outros
investigados, o advogado, amigo pessoal e ex-assessor do presidente, José
Yunes. Ao citar uma notícia relatando a operação, Janot ironizou: “Começou?
Acho que sim”.
Ao longo do ano passado, Janot denunciou Temer em duas
oportunidades com base na delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista e demais
executivos da J&F. Ambas foram barradas pelos parlamentares que dão
sustentação ao governo de Temer na Câmara dos Deputados, impedindo a
continuidade das investigações até que Temer deixe o cargo, em janeiro de 2019.
A prisão de José Yunes é temporária (cinco dias) e foi autorizada
pelo ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que apura
se Michel Temer beneficiou a empresa Rodrimar no Porto de Santos, na edição do
decreto dos Portos, assinado em maio de 2017. Além de Yunes, foram presos o
empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar; o ex-ministro da Agricultura
Wagner Rossi e o coronel da reserva da PM João Batista de Lima Filho, o coronel
Lima, amigo de Temer.
Na manhã desta quinta, Janot ainda declarou na rede social
que para combater a corrupção é preciso “coragem, inflexibilidade e muita
resiliência”.
Além do inquérito relacionado ao decreto dos portos, a atual
procuradora-geral, Raquel Dodge, solicitou ao Supremo Tribunal Federal neste
ano que o presidente fosse incluído na investigação do pagamento de propina por
parte da Odebrecht acertado dentro do Palácio do Jaburu, residência oficial de
Temer, em maio de 2014.
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