A Agência Europeia de Controle de Doenças (ECDC, na sigla em
inglês) emitiu na quinta-feira um alerta recomendando que turistas com destino
ao Brasil no Carnaval se vacinem contra a febre amarela. O órgão teme que o
forte fluxo de turistas europeus ao país neste período acabe gerando uma
importação de casos da doença.
Apesar do baixo risco de transmissão da febre amarela no
continente europeu, as autoridades locais pedem que os turistas que estejam viajando
ao Brasil sejam vacinados de acordo com as recomendações da OMS. Nesta semana,
a agência da ONU incluiu todo o Estado de São Paulo entre os locais de risco,
além do Rio de Janeiro e Bahia.
“Durante o Carnaval, o número de viajantes da Europa ao
Brasil deve aumentar. Portanto, o número de casos relacionados com viagens
entre turistas não vacinados pode aumentar também nos próximos meses”, alerta.
No comunicado, a Europa aponta que o surto no Brasil foi
declarado como encerrado em setembro de 2017. Mas os números em alta das
últimas semanas apontariam para a volta da circulação do vírus, em especial em
São Paulo.
“A identificação de casos em animais nas proximidades de
regiões metropolitanas em São Paulo e Rio é preocupante, especial diante do
início da temporada do mosquito. Existe um aumento da possibilidade de
transmissão urbana, o que aumenta de forma significativa o número potencial de
pessoas expostas”, alertou.
No último fim de semana, um holandês que estava no interior
de São Paulo retornou a seu país de origem contaminado pela doença, o que fez a
OMS reavaliar a situação do Brasil.
Medidas preventivas
Uma vez no Brasil, o órgão pede que os turistas “tomem
medidas para prevenir a picada do mosquito, especialmente no início do dia e ao
entardecer, quando os mosquitos são mais ativos”. Isso inclui o uso de
repelentes, usar camisas e calças de manga comprida e dormir em quartos com ar
condicionado – ou com redes para proteger as camas.
A Europa também deixa claro que turistas internacionais que
estejam retornando de áreas afetadas podem ser obrigados a mostrar provas de
sua vacinação.
Treinamento de profissionais de saúde
Como a doença é inexistente na Europa, a agência recomenda
que médicos e profissionais do setor de saúde sejam informados de forma regular
sobre as áreas com transmissão de febre amarela. Eles também devem passar a
considerar a doença em seus diagnósticos.
Territórios asiáticos
Uma especial preocupação da Europa ainda se refere a seus
territórios em outros continentes, afetados pelo mosquito. Territórios europeus
na Ásia, por exemplo, contam com a presença do vetor da febre amarela, mas não
com a doença. O temor é de que a importação de um caso brasileiro possa acabar
gerando uma transmissão local em uma população que não está imunizada.
Por isso, a agência sugere que os viajantes que chegam do
Brasil devem ser avaliados sobre o status de sua vacinação. Outra recomendação
é de que pessoas retornando de áreas sob risco de transmissão não realizem
doações de sangue por 28 dias e que doações de certos órgãos seja reavaliada.
(Com Estadão Conteúdo)





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