Flamengo comemora os 30 anos do título mundial

Nenhuma glória pode ser maior que a de conquistar o mundo. Do jeito que o Flamengo conquistou então, o feito é ainda maior. Passando por cima de tudo e todos, o Rubro-Negro montou um time perfeito e muito a frente do seu tempo para conquistar tudo o que podia. No dia 13 de dezembro de 1981, há exatos 30 anos, o Fla batia o poderoso Liverpool e conquistava aquele que é seu maior título: o campeonato mundial.
O time
Raul; Leandro, Marinho, Mozer, Júnior; Andrade, Adílio; Tita, Zico, Lico; Nunes. Esta é a escalação que flamenguista nenhum vai esquecer. Zico, Júnior e Andrade talvez sejam hoje os maiores ídolos do time da Gávea e não é a toa: juntos, pareciam jogar por magia.

Se hoje o 4-2-3-1 é o esquema da moda e utilizado por uma infindade de equipes, no começo da década de 80 ele era praticamente uma excentricidade. Mas deu muito certo. No começo de 81, o Fla ainda era treinado por Cláudio Coutinho, que foi quem montou a base do time.
Com a chegada de Carpegiani logo depois, o esquema 4-2-3-1 se firmou e ganhou em mobilidade: na final contra os ingleses, frequentemente Tita e Lico trocavam de lugar e Nunes voltava para ficar mais atrás. Lembrou de alguém? Qualque semelhança com o Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta não é mera coincidência.
O jogo
Ou “o massacre”. Ao contrário de muitos times da América do Sul que chegam no Mundial preocupados em se defender para não levar gol dos poderosos europeus, o Flamengo não abdicou do ataque e o que se viu foi um verdadeiro banho de bola dos brasileiros.
Logo aos 13 minutos, Zico lançou o centroavante Nunes que viu o goleiro do Liverpool, Grobbelaar, sair do gol e tocou por cobertura. Para surpresa dos sempre fleumáticos ingleses, os brasileiros estavam na frente. E tinha mais por vir.

Com 34 minutos, Tita foi derrubado na entrada da área. Como era de costume, Zico bateu a falta muito bem e Grobbelaar apenas espalmou. No rebote, Lico bateu e Thompson tirou parcialmente mas no “rebote do rebote”, Adílio estava lá para empurrar a bola para o fundo do gol.
Surpresos, extasiados e totalmente dominados, os Reds não tinham forças para reagir e o jogo seria decidido ainda na primeira tempo. Aos 45 minutos, novamente Zico lançou para Nunes bater na saída do goleiro e matar o jogo. A última etapa foi de amplo domínio falmenguista, já que os ingleses pouco faziam para tentar reverter o resultado e o Flamengo controlou a partida com maestria até que o apito final confirmou que o mundo era vermelho e preto.
O adversário
Pomposos, metidos e cheios de si os ingleses até poderiam ser mas tem algo que eles não eram: ruins de bola. Kenny Dalglish, hoje treinador e maior ídolo da história do time da Terra dos Beatles, comandava o time dentro de campo, e os Reds formavam aquela que era a base da Seleção Inglesa.

Assim como o Flamengo, a geração do Liverpool que chegou ao Japão era a melhor da história do clube. Entre 1975 e 1985 — dez Campeonatos, portanto — por oito vezes o time do norte da Inglaterra foi campeão inglês. Em nenhuma época um time da Terra da Rainha havia sido tão vitorioso, o que deixa o feito Rubro-Negro de tê-los goleado ainda maior.
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