Michel Temer é escolhido como candidato a vice na chapa de Dilma
A escolha de Temer é uma vitória do PMDB sobre a vontade do presidente Lula. O partido dará preciosos minutos a Dilma no horário eleitoral no rádio e na televisão
O presidente do PMDB, Michel Temer, foi escolhido agora na tarde desta sábado o candidato a vice na chapa da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Em uma convenção que não teve disputas judiciais, nem pancadaria – como ocorreu em outros encontros assim do PMDB – Temer teve 84% dos votos. Ele concorria praticamente sozinho. Há meses a cúpula do PMDB decidiu apoiar Dilma e indicar Temer como vice.
O ex-governador do Paraná Roberto Requião e o jornalista Antonio Pedreira até tentaram o impossível. Os dois lançaram suas candidaturas à Presidência. Apoiados em uma ala minoritária do partido, os dois defendiam que o PMDB tivesse candidato próprio a presidente. Conseguiram pelo menos participar da convenção e expor seus pontos de vista para a plateia no começo do evento, quando os líderes mais importantes ainda não estavam presentes. O único momento de atrito ocorreu quando Requião começou a discursar. Alguns homens entraram no salão gritando o nome de Temer. Mas a provocação durou pouco e Requião pode discursar tranquilo. No final, ele e o senador Pedro Simon (RS), que defendiam a candidatura própria do partido, foram embora do evento.
Michel Temer chegou logo depois e discursou por cerca de quinze minutos. A mesa no palco, que estava vazia, ficou lotada. Ao lado dos principais líderes do PMDB, como o presidente do Senado, José Sarney, o senador Renan Calheiros e o deputado Jáder Barbalho, Temer fez questão de afirmar que o PMDB não entrava como “coadjuvante” na chapa encabeçada pelo PT. “O PMDB não será coadjuvante, será protagonista, ator principal. o PMDB não vai chegar apenas com a vice-presidência, porque atrás do PMDB está o maior exército político eleitoral do país”, disse. Segundo Temer, o PMDB fará a maior bancada no Senado e na Câmara.
A escolha de Temer é uma vitória do PMDB sobre a vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Temer não era o preferido de Lula para a vaga de vice de Dilma. Lula nunca foi próximo de Temer e, em várias ocasiões deu declarações que colocaram a aliança em risco. Mas, diante da resistência das maiores lideranças do PMDB, da dependência que o governo tem do aliado no Congresso e dos preciosos minutos que o PMDB dará a Dilma no horário eleitoral no rádio e na televisão, Lula aceitou.
A decisão da convenção não garante, no entanto, apoio total do PMDB ao PT. O maior partido do país também é o mais dividido. Alguns diretórios devem apoiar o candidato do PSDB, José Serra. Entre eles estão Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.
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