Garotinho descarta acordo com Mocaiber
“A campanha de Rosinha à prefeitura de Campos tinha como lema a mudança. Portanto, a possibilidade de acordo político com Mocaiber é zero”, afirma o ex-governador fluminense Anthony Garotinho, ao comentar notícia sobre possível acordo entre ele e o ex-prefeito Alexandre Mocaiber. O presidente do PR no estado do Rio de Janeiro está na cidade, passando o Natal com a família e recebendo amigos em sua casa, na Lapa. Em entrevista a O Diário, Garotinho também fala de suas perspectivas numa provável disputa ao governo estadual. O ex-governador se diz surpreso com declarações de Arnaldo Vianna (PDT), no início da semana, em entrevista no programa “De Olho na Cidade” (TV Litoral), atribuindo a ele comentários, publicados em O Diário, sobre possíveis contas do deputado federal no exterior.
Garotinho faz um resumo do que as pesquisas estão apontando, da intenção do eleitorado com vistas às eleições de 2010, admitindo a possibilidade de vir a se candidatar. Mas afirma que qualquer decisão dele somente será anunciada em março. A prioridade, no momento, tem sido organizar o PR nos 92 municípios, missão que teria sido concluída, ontem, quando empossou a executiva em São João da Barra.
ENTREVISTA: ANTHONY GAROTINHO
O Diário – Pesquisa divulgada nesta semana, pelo Instituto UP Pesquisa e Marketing mostra polarização, mostra intenção do eleitorado fluminense com vistas às eleições de 2010 para o governo estadual e aponta para uma polarização entre uma possível candidatura do senhor e a do governador Sérgio Cabral Filho. Como o senhor avalia esse quadro?
Garotinho – É natural que o eleitorado, principalmente do interior fluminense, sinta a grande diferença de tratamentos dispensados aos municípios no meu governo e no atual. O atual governador não tem projeto para o desenvolvimento do Estado do Rio. O interior que vinha crescendo com projetos importantes, como, por exemplo, o Porto do Açu, conquistado em nossa época, volta a ter uma desaceleração em relação à capital.
OD – Mas as pesquisas revelam que Cabral está forte no interior. Então seria uma contradição, se comparado à avaliação que o senhor acaba de fazer?
Garotinho – Momentaneamente sim. Eu tenho que trabalhar os meus programas de rádio na cidade do Rio de Janeiro, com fortes audiências na Baixada Fluminense. Nessas áreas eu já estou na frente de Cabral. Não tenho dúvida de que, quando o debate político for colocado para o eleitor do interior, quando for perguntado quem fez mais pelos municípios, não haverá como comprar.
OD – O senhor disse inicialmente que anunciaria em novembro se seria ou não candidato, agora adia para março, por que?
Garotinho – Minha tarefa principal neste período, desde quando assumi o PR no estado, tem sido estruturar o partido, saindo praticamente do zero. Isso demanda tempo e anunciar uma pré-candidatura agora tiraria o foco da organização partidária. Temos feito um trabalho maravilhoso. O PR está implantado nos 92 municípios, em todas as zonais da cidade do Rio e já tem mais de 300 pré-candidatos a estadual e federal. Além disso, temos um nome para senador, o pastor Manoel Ferreira, que já aparece nas pesquisas à frente do pré-candidato do governo, embora tendo anunciado sua pretensão há apenas 60 dias.
OD – Circula na cidade notícia sobre possível acordo político do senhor com o ex-prefeito de Campos, Alexandre Mocaiber. Até que ponto pode-se dar crédito ao comentário?
Garotinho – É uma informação totalmente falsa. Em Campos as pessoas inventam notícias sem o menor fundamento. A campanha da prefeita Rosinha, que eu tive o prazer de coordenar, tinha como lema a mudança. Portanto, a possibilidade de acordo com Mocaiber é zero. Ele e o também ex-prefeito, deputado federal Arnaldo Vianna, são responsáveis por Campos ter jogado nove bilhões de reais em royalties do petróleo e participação especial fora nos últimos 11 anos. Não tenho acordo com essa gente.
OD – E por falar em Arnaldo Vianna, em entrevista à TV Litoral (retransmitido pela Continental AM, ele atribuiu ao senhor uma informação sobre possíveis contas dele no exterior, publicada na coluna Painel Diário, deste jornal, o chamando inclusive de monstro. Isso procede?
Garotinho – Sinceramente, não sei nem do que se trata. Soube, por algumas pessoas, que ele usou o microfone de uma rádio para se fazer de vítima, como se eu tivesse falado alguma coisa sobre sua falecida mãe. Jamais eu faria isso e prefiro não prosseguir nesse assunto. Acho um absurdo tudo isso.
OD – Como o senhor avalia o primeiro ano do governo de Rosinha?
Garotinho – Impressionante a capacidade de trabalho dela. Pegou uma prefeitura onde até as linhas telefônicas estavam cortadas por falta de pagamento e uma máquina administrativa emperrada e viciada na corrupção. Ela está conseguindo superar vários obstáculos e estabelecer um novo paradigma de desenvolvimento para o município. Não tenho dúvidas de que nesse primeiro ano já aconteceram avanços, como passagem a R$ 1, Plano Diretor, início da construção de 10 mil casas populares, investimentos no setor de saúde. E acredito que em 2010 Campos verá uma mudança que há muito tempo a população esperava.
OD – O senhor esteve ontem em São João da Barra dando posse à nova executiva do PR. O que houve, afinal, entre o senhor e a prefeita Carla Machado?
Garotinho – Olha, eu gostaria muito de saber. Sempre fiz tudo por ela. Nos momentos mais difíceis da vida política dela eu a apoiei. Durante meu governo no estado, quando Carla havia sido derrotada na eleição de 2000, para a prefeitura, a nomeei Agente de Desenvolvimento Local. Foi a forma que encontrei de mantê-la viva na política. Quando soube que ela estava passando para o lado de Cabral, telefonei três vezes, deixei recado, não recebi nenhum telefonema de volta. São coisas da política.
Fonte: O Diário
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