Casa de leis com bar na pauta
O bar Baviera, inaugurado recentemente na Avenida Pelinca, e que tem como proprietários os filhos do presidente da Câmara, Nelson Nahim (PMDB) e do casal Garotinho, gerou uma discussão que se estendeu por cerca de uma hora e meia na sessão de ontem da Câmara Municipal.
A confusão começou após a constatação de que havia na pauta requerimentos do vereador Jorge Rangel (PSB) que solicitavam moções de aplausos aos sócios do bar recentemente inaugurado: Hélio Montezano de Oliveira Neto, que é filho do presidente Nelson Nahim, Wladimir Barros Assed de Oliveira, que é filho do casal Garotinho, Guilherme Rangel Abreu e Eduardo Azevedo. Ao tomar conhecimento de que o bar pertencia ao filho do ex-governador Anthony Garotinho, o vereador Marcos Bacellar, votou contra a moção de aplausos disparou. “O filho do Nahim, Helinho, sempre morou em Campos, mas o filho de Garotinho vivia pelas bandas do Rio de Janeiro com os colegas da sua mãe, como Álvaro Lins. Agora está aqui montando bar.
A gente precisa saber a origem desse dinheiro que ele investiu no bar. Filho de capeta, capetinha é”, bombardeou Bacellar, que causou um reboliço no legislativo. O vereador Magal (PMDB), líder do governo Rosinha, usou a palavra e mais uma vez irritou o seu companheiro de partido, Nelson Nahim. “O Bacellar já havia dito que o bar era uma obra de Rosinha. Aí o senhor (Nahim) defendeu o seu filho, que é sócio. Hoje, falou do seu sobrinho, que é sangue do seu sangue. Acho que deveria defender também”, palpitou Magal, que na mesma hora teve a resposta de Nahim. “O senhor não tem o direito de dizer o que eu devo ou não fazer. Vejo que o senhor está muito açodado em dizer o que devo fazer. Não é a primeira vez”, disse Nahim, visivelmente irritado com o líder do governo.
Tendo em vista a proporção que o assunto ganhava, o vereador Altamir Bárbara usou a palavra para demonstrar o seu descontentamento com o clima da Casa. “Sinceramente, fico bastante desanimado quando vejo essas coisas.
Até este momento a sessão não contou com nada de produtivo. Ontem (terça) também não fizemos nada de produtivo. Sobre o bar, o que posso dizer é que os sócios merecem aplausos pela coragem. Abrir um bar em meio a essa crise é um ato de coragem. Ainda mais quando soube que os sócios pagam R$ 12 mil de aluguel”, disse Altamir.
Ao notar que os vereadores estavam irritados por ele ter chamado o filho de Garotinho de “capetinha”, Bacellar pediu para que fosse retirado. “Retiro o que disse. Mas é uma coisa engraçada.
Chamei o filho do ex-governador de capetinha e tem até gente que chora. Mas quando chamaram os meus filhos de três porquinhos, ninguém falou nada. É uma piada”, disse Bacellar.
Alexandre Bastos
Folha da Manhã
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