Conselheiros do TCE na mira da ALERJ

A Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) dará início no dia 2 de março ao trabalho de investigação das denúncias que pesam sobre os conselheiros José Graciosa e José Nader, do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE). A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aprovada ontem, por 42 votos a dois, pedirá, já no primeiro encontro, a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos dois conselheiros, investigados pela Polícia Federal por suposto envolvimento em um sistema de pagamento de propina por prefeitos.
- Acho que esta será uma CPI fácil. Já tenho documentos suficientes para solicitar a quebra de sigilos e determinar quais serão os primeiros convidados a depor. Espero terminar o trabalho dentro dos 90 dias – disse a deputada Cidinha Campos (PDT), autora do projeto que cria a CPI e futura presidente da comissão, referindo-se ao prazo regimental sem a prorrogação.
O Diário Oficial do Poder Legislativo informará a composição da comissão, que vai contar com o deputado João Pedro (DEM), como relator, e os deputados André Corrêa (PPS), Marcelo Freixo (PSol) e Caetano Amado (PR) como membros efetivos. Paulo Ramos (PDT) e Renato de Jesus (PMDB) serão os suplentes. Em plenário, André Corrêa pediu o arquivamento de um projeto similar ao aprovado. “Abri mão de conduzir trabalho semelhante em função de divergências que tenho com um dos investigados, mas me alegra saber que esta investigação irá adiante. Tenho certeza de que será um trabalho muito bem conduzido”, elogiou o parlamentar, que é autor, em parceria com o deputado e presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), da emenda constitucional que acabou com o cargo vitalício dos conselheiros ao prever a perda de mandato em caso de comprovadas irregularidades na função.
Cidinha Campos agradeceu pela aprovação reafirmando que a Casa não poderia deixar de se manifestar diante dos acontecimentos. “O TCE é um órgão auxiliar do Poder Legislativo, portanto, nós não poderíamos abrir mão da investigação”, alegou a deputada, que apresentou na Mesa Diretora uma notícia-crime contra os conselheiros na intenção de que a Casa abra um processo administrativo para permitir seu imediato afastamento. “A permanência dos dois pode significar a destruição de provas”, alertou.
Folha da Manhã
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