Violência do interior supera da capital

A violência no interior do estado tem exigido cada vez mais empenho nas operações policiqais
Em matéria divulgada no site da Agência Brasil, uma pesquisa do Instituto Estadual de Segurança Pública revela que as áreas mais violentas do Estado do Rio de Janeiro neste ano não estão na região metropolitana, mas no interior. Levantamento com base em dados de janeiro a setembro de 2008 mostrou que as regiões com maiores taxas de homicídios estão no interior fluminense. Macaé é uma das cidades mais violentas apontadas na pesquisa. Já a área menos violenta do Estado não é numa zona rural, mas na Zona Sul da cidade do Rio.
A Região dos Lagos, um dos principais destinos turísticos, com sete municípios, desponta como área com maior índice de homicídios: 36,91 para cada 100 mil habitantes. Entre os pontos em destaque está a região de Macaé e os cinco municípios do entorno, com índice de 35,47 homicídios para cada 100 mil habitantes. Para a coordenadora do Centro de Estudos de Cidadania e Segurança (Cesec) da Universidade Candido Mendes, Silvia Ramos, tanto as taxas da Região dos Lagos quanto às da área de Macaé são resultado de um crescimento desordenado das duas regiões, principalmente por causa do petróleo da Bacia de Campos.
Delegado discorda
O delegado titular da 123ª DP de Macaé, Daniel Gomes, disse que os dados concretos da pesquisa não chegaram ao seu conhecimento, mas as estatísticas feitas na delegacia até o final do mês de outubro indicam outra realidade. Foram 87 homicídios, sendo que no mesmo período do ano passado foram contabilizados 117 assassinados, ou seja, quase 30% a menos em 2008. Já em novembro deste ano ocorreram dois homicídios e 10 em dezembro. “Nossos números mostram uma realidade diferente de dois anos atrás, quando Macaé esteve entre as 15 cidades mais violentas do país. Tivemos prisões importantes este ano, de gerentes de tráfico e integrantes de grupos de extermínio, como Pimpolho, Índio e Pitbull, além da descoberta do cemitério clandestino. O trabalho integrado das Polícias Civil e Militar contribuiu bastante para diminuição desses números. E com a conclusão da obra da Delegacia Legal, esse trabalho tende melhorar ainda mais”, ressaltou.
Já o comandante do 32ª BPM de Macaé, Alexandre Fontenelle, disse que é preciso saber como foi realizada a pesquisa, pois este tipo de levantamento é feito em vários formatos, mas que os números do batalhão mostram que o índice de violência foi reduzido, mas isso não quer dizer que a taxa esteja baixa. “A proporcionalidade da região de Macaé é outra. A violência vem diminuindo e os números falam isso. A tendência é ficar em níveis aceitáveis em relação à população macaense”, explicou.
Sul Fluminense também mais violento que a capital
O litoral Sul Fluminense (entre Mangaratiba e Parati) ficou com 35,37 para cada 100 mil na pesquisa. A Baixada Fluminense, popularmente conhecida como área mais violenta do estado, apresentou 32,66 assassinatos para cada 100 mil habitantes nos nove primeiros meses de 2008. Em 5º lugar, aparece a região norte fluminense, área com quatro municípios localizada no entorno de Campos dos Goitacazes, com 28,18 por 100 mil. As zonas norte e oeste da capital aparecem apenas na 7ª e 8ª colocação, com, respectivamente, 24,89 e 23,74 por 100 mil, atrás da região metropolitana de Niterói (24,98). Já a zona sul vem como a região com menor taxa de homicídios do estado: 5,3 para cada 100 mil habitantes, um índice sete vezes menor que o da Região dos Lagos. E as regiões Serrana, do Vale do Paraíba e Noroeste Fluminense aparecem com média de 12 homicídios por 100 mil habitantes cada uma.
Coronel da PM pede ajuda da população
Coronel Paulo Cezar Vieira, comandante do 8º BPM (Campos)
Para o comandante do 8º BPM/Campos, coronel Paulo Cezar Vieira, a posição de Campos em quinto lugar na pesquisa demonstra que a Polícia Militar está fazendo seu papel no município e nas cidades vizinhas de São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e Cardoso Moreira. “Municípios menores e a Capital estão na frente de Campos. O crime de homicídio é puramente investigação que cabe à Polícia Civil, mas ela não tem bola de cristal”, disse o comandante que acrescenta que pelo menos 90% dos homicídios estão relacionados ao tráfico de drogas, seja pela vítima ou pelo autor.
De acordo com Vieira, o homicida tem vontade livre e consciente de praticar o delito e tem seu alvo. “Ele somente aguarda a oportunidade para consumar seu objetivo. Ele age onde não há policiamento. A Polícia Militar atua com base em estatísticas e reforça o patrulhamento onde é necessário, mas há homicídios que têm ocorrido dentro das casas”, observou. “O homicida tem a certeza da impunidade. Para acabar com isso é preciso informação. E quem pode nos fornecer é a população. Quando se faz a denúncia de imediato há uma pronta resposta. Exemplo disso foi um homicídio em Travessão, neste ano. No mesmo dia chegamos aos autores. Houve uma denúncia e ninguém sabe quem foi que denunciou. O denunciante não precisa se expor. Tem que acreditar”, explica.
Neste ano, segundo o comandante, mais de mil pessoas foram presas e autuadas na área do 8ºBPM, seja por homicídio, roubo, furto, receptação, porte ilegal de arma ou tráfico de drogas. Centenas de armas foram apreendidas e carros recuperados. “Foi maior o número de carros recuperados do que roubados ou furtados”, finaliza.
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