Quebra de caixa dos royalties em 2009

A crise econômica global vai tirar dinheiro dos próximos governos da chamada Faixa do Petróleo, em que se destacam Campos, Macaé, Rio das Ostras e Cabo Frio, as cinco maiores arrecadações em royalties. Projeções da Fundação Cide-RJ indicam que o principal estado produtor, o Rio, assistirá a receita cair de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,7 bilhão. As cinco maiores cidades produtoras podem perder, juntas, até R$ 370 milhões no próximo ano, com a captação total indo de R$ 1,36 bilhão para R$ 990 milhões.
As projeções do economista Ranulfo Vidigal, feitas para o jornal O Globo, mostram um cenário de preocupação, que é endossado pelos municípios da região. O assessor especial da prefeitura de Campos, Luiz Mário Concebida cita que o recuo de dezembro, da ordem de 26% com repasse de R$ 43 milhões, pode ir a 47% em janeiro, com arrecadação de R$ 30 milhões. Futuro secretário de Desenvolvimento Econômico e Petróleo, Eraldo Bacelar preside hoje a Fundenor e fala que “cabe a revisão da estruturação dos investimentos para buscar alternativas que supram a quebra de receita”.
Presidente o da representação regional da Firjan, o industrial Geraldo Hayem Coutinho o risco de uma arrecadação baseada em royalties é justamente sua “volatilidade”. Segundo os cálculos do economista Ranulfo Vidigal, da Fundação Cide-RJ, que vai presidir uma instituição similar no governo da prefeita eleita Rosinha Garotinho, o Cidac, entre os 87 municípios fluminenses que arrecadam royalties, os repasses podem despencar de R$ 2,4 bilhão, em 2008, para R$ 1,8 bilhão, em 2009.
- De qualquer forma, temos que observar os cenários. Os países produtores vão regular os estoques e restituir os preços, forçar a alta. A produção se mantém, temos a possibilidade de entrada em operação em janeiro de novas reservas. Mas temos que começar o trabalho de buscar alternativas – enfatiza Eraldo.
Para Geraldo, não há como se encarar a variação dos royalties uma surpresa:
- Toda discussão dos royalties passou sempre pela variabilidade e vulnerabilidade dessa receita. Porque ela depende de fatores como a produção, como o câmbio, como a cotação do petróleo. Nunca teremos essas três variáveis trabalhando numa mesma direção.
Folha da Manhã
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