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Diques são implodidos em Lagoa Feia

05 de dezembro de 2008 Notícias da Região


A carga de 130 quilos de explosivos no momento da detonação

Técnicos da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) utilizaram na tarde de ontem 130 quilos de dinamite para romper um trecho do dique que protegia uma área de influência da Lagoa Feia na localidade de Ponta Grossa dos Fidalgos, na Baixada Campista, além de romper com máquinas outro trecho do dique, na altura da “Fazenda do Louro”. No dia anterior, uma comissão reunindo membros da Defesa Civil Estadual, Ministério Público Estadual e Secretaria Estadual de Meio Ambiente decidiu pela implosão como meio de amenizar os problemas causados pela enchente que há mais de duas semanas atinge a região de Ururaí, Lagoa de Cima e Imbé, deixando milhares de famílias desalojadas e desabrigadas.

Há dois dias, o juiz da 2ª Vara Civel de Campos Sebastião Bolelli já havia demonstrado cautela sobre o assunto, por causa do “risco de cobrir um santo e descobrir o outro”, alertando sobre a necessidade estudos mais técnicos que justificassem a implosão. No entanto, a operação no dique foi realizada no meio da tarde de ontem, resultando imediatamente no despejo de milhares de metros cúbicos de água em fazendas da região, já alagadas. O resultado prático da operação deve começar a ser conhecido somente a partir de hoje, considerando que o nível das águas no trecho entre a Lagoa de Cima e o Rio Ururaí já começavam a baixar ontem, antes mesmo da intervenção.

Posicionamento contrário

Pouco antes da implosão, técnicos que conhecem a rede de mais de 1.200 quilômetros de canais da Baixada Campista se posicionaram contrários à decisão de implodir o dique. A preocupação com o risco de enchente de áreas até então protegidas pelo dique foi manifestada numa Carta-documento elaborada por técnicos de várias entidades, que antes da implosão, enviaram cópias do documento ao MP, Serla e ao secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, que participou do início da reunião na Fundação Estadual de Desenvolvimento do Norte Fluminense (Fundenor). “O rompimento do dique pode ser comparado ao efeito da retirada de um copo de água de uma caixa d’água”, comparou o presidente da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan), Eduardo Crespo, sobre a ação que ocorreria instantes após a reunião.


Preocupação com efeito devastador em áreas já comprometidas

O documento expressava a preocupação de técnicos da Fundenor, Secretaria Estadual de Agricultura, Abastecimento e Pesca, da Prefeitura de Campos (Secretaria de Meio Ambiente), da Asflucan, do Sindicato Fluminense dos Produtores de Açúcar e Álcool (Sindaaf) e do Sindicato Rural de Campos, bem como da Secretaria Executiva do Termo de Cooperação Técnica para Recuperação dos Canais e Comportadas da Baixada Campista. Eles discutiram os efeitos da implosão do dique e temem um efeito devastador no setor Sul da Baixada, pelo risco de enchente até a região de Ponta da Lama, Muxuango e Guriri, no distrito de Dores de Macabu.

Riscos

“Nossa preocupação é com o risco de danos para regiões da Baixada ainda não afetadas pelas águas. O rompimento dos diques vai inundar a área da Bacia do Rio da Prata (Muxuango e Guriri), que receberá as águas do Rio Ururaí, pelo qual vai escoar as águas represadas na região da Lagoa de Cima e Ururaí. O volume de água nas áreas alagadas pelo rio Uururaí é muito grande porque a Lagoa de Cima transbordou e teve seu nível elevado em torno de 9 metros, devido aos 15 dias de chuva na Serra”, declarou Carlos Mendonça, chefe do Escritório da Secretaria Executiva do Termo de Cooperação Técnica para Recuperação dos Canais e Comportadas da Baixada Campista.“As terras estão encharcadas e a região que vai receber essas águas da enchente que desce pelo rio podem não conter o volume e inundar novas áreas”, completou.

O Diário

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