Morte de golfinho preocupa cientista

Os 8 mil litros de organoclorado que vazaram de uma empresa de processamento de inseticida em Resende, no Sul Fluminense e atingiram o rio Paraíba do Sul, através do afluente Pirapitinga, poderão ter efeitos desastrosos nos próximos dias, conforme acreditam biólogos. Ontem pela manhã, um golfinho de aproximadamente 1,20 metros e pesando cerca de 60 quilos foi encontrado por moradores na Praia de Chapéu de Sol junto com outros peixes que morreram envenenados com o acidente ambiental. O biólogo Ronaldo Novelli, do Laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, não afasta a possibilidade do mamífero ter ingerido água contaminada ou ter se alimentado de peixe envenenado, apesar ser mais resistente do que um peixe.
Segundo Novelli, a substância é altamente tóxica e pior do que a lixívia despejada pela Cataguases de Papel em 2003. “Testes feitos em 0,06% do Endosulfan comprovaram que o produto é altamente tóxico e mortal tanto para seres humanos como para animais, afetando o sistema nervoso”, observou.
Novelli explicou também que é normal o golfinho procurar o estuário em busca de cardumes. “O mamífero se alimenta de outros peixes e tem como característica buscar o ar na superfície da água. Ele deve ter ingerido a água ou comido o peixe e não resistiu à toxicidade do produto”, destacou, lembrando que a espécie está listada como em extinção, e pode ser encontrada no litoral de Atafona, Sul do país e na Argentina.
O biólogo disse que existe uma preocupação com a substância tóxica. “Não sabemos se ele permanecerá na água ou ficará no leito do rio ou do mar. Isso é preocupante”, ressaltou.
A secretaria de Comunicação de São João da Barra informou que tomou conhecimento da morte do golfinho, no início da noite. A Defesa Civil Municipal esteve no local, mas não recolheu o mamífero para avaliação de um técnico por se encontrar em adiantado estado de decomposição.
A Folha tentou ouvir o Projeto Cetáceos, em Atafona e no Rio de Janeiro, mas não conseguiu localizar os seus responsáveis.
Água – A Cedae de São João da Barra retomou ontem, às 20h, a captação de água no rio Paraíba do Sul. O serviço foi liberado pela Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), com base em análises feitas na água coletada.
Folha da Manhã
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