Chuvas deixa Campos alagado – comércio sofre
Há nove dias, vários bairros de Campos ficaram totalmente alagados após 10 horas de chuva. Ontem, a cena se repetiu. Em quase horas de chuva intensa, a cidade virou um verdadeiro caos. Nos bairros como Santa Rosa, Lapa, Nova Campos, Goitacazes, Estância da Penha, Jardim Carioca, na localidade de Lagoa de Cima e no distrito de Ururaí, era comum ver casas e comércios totalmente inundados e a população desesperada, tentando salvar o que restou da última chuva, que destruiu quase tudo.
Além dos bairros mais afastados do Centro da cidade, várias ruas centrais também ficaram tomadas pelas águas da chuva, o que tumultuou o trânsito, deixando ruas totalmente congestionadas. O trânsito na Ponte Rosinha Garotinho, sentido Guarus / Centro, ficou totalmente engarrafado. Ninguém queria arriscar, pois na descida da ponte havia muita água, formando uma granda área alagada. A rotina dos feirantes do Mercado Municipal também mudou, uma vez que o local foi tomado pela água.
Congestionamento – A Rua Marechal Floriano, no Centro, ficou inundada. Os motoristas mais corajosos enfrentaram a água para chegar ao seu destino. O mesmo aconteceu na Travessa Santo Elias, no Jardim Carioca. Neste logradouro funciona o Externato Brasil e os alunos tiveram que ser resgatados por uma equipe do 5º Grupamento de Bombeiro Militar (GBM). As aulas foram suspensas.
Na Avenida 28 de Março com a Phillipe Uebe, no Turfe Clube, a ciclovia virou estacionamento para carros. Alguns motoristas, tentavam fugir do alagamento e outros aguardavam socorro para os veículos que apresentaram defeito.
A casa da filha da aposentada Aldenir Alonso, 61 anos, localizada à Rua José Manoel da Silva, no Parque Santa Rosa, ficou debaixo d’água. “Ela (filha) foi para a minha casa junto com a família. Apenas deu tempo para levantar alguns eletrodomésticos”, contou. Neste mesmo bairro, as ruas H e Soldado Salvador Rosa ficaram inundadas.
O drama se repetiu na Rua Carlos Bruno, no Parque Nova Campos. O desempregado Marciano Fidélis, 31, revelou que na última tempestade perdeu tudo, e que ontem recebeu novamente, na casa onde mora, a “visita” da água da chuva. “O poder público tem que tomar uma providência. O que não pode acontecer é sempre a gente perder as nossas coisas quando chove”, desabafou.
Resignação diante do prejuízo

Dona Ilda perdeu a geladeira, queimada durante o alagamento
A dona de casa Ilda Joana de Jesus, 59, viu a geladeira queimar devido ao contato da água com os fios elétricos. “Não tenho condições de colocar outra no lugar. Sabemos que tudo o que Deus manda está bom, mas o que está acontecendo em Campos é um descaso do poder público”, alfinetou. Na Rua Miguel Herédia, no Bairro Lapa, moradores saíam dos imóveis desesperados. Três pontos da Avenida José Carlos Pereira Pinto se transformaram em um piscinão, mesmo assim os motoristas se arriscavam, cujo trânsito não chegou a ficar interrompido.
Desalojados de Ururaí levados para escolas municipais

Comandante da Defesa Civil, Henrique Oliveira: situação é crítica
De acordo com o comandante da Defesa Civil Municipal, Henrique de Oliveira, a situação de Campos é crítica. Segundo ele, Lagoa de Cima e Ururaí eram as localidades mais atingidas até a noite de ontem. Em Ururaí, 60 famílias ribeirinhas já haviam sido retiradas de suas casas. A expectativa era para que até hoje outras casas fossem desocupadas. O acesso à Lagoa de Cima estava sendo feito somente com barcos. Na localidade de Rio Preto, no distrito de Morangaba, 12 famílias estão desalojadas. “O nível do Rio Ururaí não pára de subir, e as famílias desalojadas já ocupam três escolas e o Ciep. Existem ainda locais crônicos, como Lago do Sapo, Linha do Limão, em Goitacazes, Estância da Penha e Lagoa de Cima, que estão totalmente inundados”, lembrou.
Segundo Oliveira, na localidade de Lagoa de Cima a situação era menos complicada, já que a maioria das propriedades são fazendas. Dez famílias, de acordo com a Defesa Civil, foram retiradas de suas casas e levadas para escolas próximas e para a associação de pescadores.“O que acontece muito lá e também em Rio Preto, onde temos famílias desalojadas, é que muitas preferem não sair das casas e ficar ilhadas, andando de barco”, explicou o comandante.
Mais chuva
E a situação não deve melhorar nas próximas horas. A meteorologia prevê chuva para a região até amanhã.
Caos em quase todo município
O Diário
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